17 de novembro de 2003

TAVEIRADAS
Da entrevista ao Correio da Manhã, fico a saber que o - por assim dizer - arquitecto T. Taveira, ainda está a trabalhar no projecto de renovação do Estádio da Luz.
Haja uma alma caridosa que vá dizer ao senhor que essa estrutura já foi abaixo.
Se ele não acreditar, gravem um vídeo e mostrem-lhe.
CITAÇÕES
Dos Marretas, não resisto a reproduzir o texto do Animal:
"Já ouviram falar em greves de zelo? Que tal irem TODOS os alunos a TODAS as aulas, fazerem perguntas aos profes, exigirem a bibliografia actualizada, comparecerem EM PESO às aulas práticas... se pretendem fazer o sistema entrar em colapso, não encontram melhor processo. Assim, já era capaz de acreditar na verdade das reivindicações estudantis - a tal exigência de qualidade do ensino."

Caro Animal, de um professor universitário não esperava tanta crueldade! Lol! Mas era irem mesmo a todas? E tirarem apontamentos?
Nem o Sade, se renascesse, teria uma ideia dessas ;-)
RODA DA PAZ
Mesmo para quem não seja dado às coisas menos provadas, os textos da Maria José Costa Felix têm interesse. Remetem-nos para nós próprios e obrigam-nos, de forma serena, a perguntar o que andamos a fazer com a nossa vida. Na "Pública" de ontem, cita Pierre Weil e o seu livro, "Os Mutantes".

"Era uma vez uma onda que, ao perguntar a outra onda onde é que ela ia tão aflita e apressada, ouviu a resposta: Vou por aí, à procura do mar... E logo a primeira atalhou: "Mas tu és o mar!"
(...) Nós somos ondas que se esqueceram de que são o mar. "
SÓ O PUDOR ME IMPEDE de arriscar um poema
GET A LIFE!
Para os que se andam a lamentar das injustiças da vida e do desinteresse do que passa na televisão ou aparece nos jornais, sugeria a reprodução do título deste post e que o colassem à frente do sofá.
PONTUALIDADE

Digam o que disserem, os portugueses estão muito mais pontuais. Por exemplo, a jornalista Maria João Ruela, foi descarregada do avião às 20. 00 h exactas.
Soubemos disto porque, por uma estranha coincidência, era a hora dos telejornais...

16 de novembro de 2003

BACK FROM TOON TOWN :)
139 filmes depois, cá estou, para fazer o balanço. Gosto de ir a festivais de cinema. De andar com uma badge ao pescoço como quem pertence a uma tribo de maluquinhos reunidos numa cidade normal. Durante uma semana ninguém me vê noutros sítios que não sejam a sala de cinema, um ou dois restaurantes, e o átrio do hotel. É um prazer simples e ingénuo. Mas é assim. :) O que também é assim é a overdose com que se regressa a casa. O ponto em que me encontro.
O Cinanima continua a ser O Sítio da animação. O local em que se podem ver filmes atrás de filmes, até percebermos que quando se fala em animação, não estamos obrigatoriamente a cantar louvores à Disney.
Este ano, como a imprensa noticiou, o grande premiado foi o filme australiano "Harvie Krumpet", de Adam Elliot. 23 minutos hilariantes de um homem azarado que anota os "factos da vida". Tão engraçado que só visto (a RTP 2 vai mostrá-lo, um dia destes, juntamente com o "Fast Filme", do imaginativo e hábil Virgil Widrich - de quem já se conhecia um outro filme interessante "Copy Shop" muito premiado).
Nem sei que mais diga, foram tantas as surpresas boas vindas do estrangeiro e tão poucas as banhadas (ao contrário do ano anterior, onde no meio de filmes extraordinários, foram seleccionadas coisas inócuas que GANHARAM PRÉMIOS!!)....
Adorei o filme japonés "Salto em esqui", "O deus" do russo Konstantin Bronzit e o "Tim Tom", produzido pela Supinfocom (uma escola de onde ainda veio uma outra bela surpresa "Crease").
O panorama nacional foi menos animador, já que o número de filmes a concurso era reduzido e sem grande brilho. Contudo, assinalo o prémio atribuido a "Voragem", de Rui Cardoso, cujo argumento do produtor também foi premiado. Foi o trabalho nacional mais sólido, malgré uma certa falta de originalidade... Enfim, outros anos virão para a produção nacional.
O Cinanima continua vivo. "The God" o conserve.

10 de novembro de 2003

DIAS ANIMADOS
Provavelmente não poderei andar por aqui durante os próximos dias. Vou estar em frente ao mar (para variar) no mar de Espinho. É o Cinanima, a festa do cinema de animação. Uma das poucas oportunidades de ver o que de melhor se produziu no ano anterior pelo mundo, além de ciclos, retrospectivas e lançamentos.
Se puderem fazer-se à estrada vão até lá que vale a pena.
See you soon.
O PAÍS DEPRIMIDO
Lol! Pelos comentários vou vendo que anda tudo maldisposto com a semana que aí vem :) E, contudo, por outro lado, são 5 dias inteirinhos até sábado, para mudarmos as coisas de que não gostamos nas nossas vidas, que aí vêm... Venha a coragem da mudança que o resto acompanhará.

9 de novembro de 2003

COME A PAPA, PORTUGAL COME A PAPA...

Gosto da sensatez das mulheres. Os homens são mais frequentemente reservados do que produtores de frases e textos inquestionáveis. Coisas do género: "Se metes os dedos na ficha ficas com o cérebro esturricado". Ditos que são ao mesmo tempo uma tomada de consciência e uma coisa caseira e simples.
A maioria das crónicas da Helena Matos são assim.
Gostei de uma das últimas sobre as escolas privadas e o discurso hipócrita dos governantes e políticos sobre o assunto.Afirma ela que todos juram a pés juntos que a escola pública é um local fantástico para educar os meninos. Contudo... todos eles metem os rebentos em escolas privadas, pagas a peso de ouro. "Que não lhes daria jeito os horários" - a eles, profissionais liberais - mas que ao desgraçado que entra às 9h e sai às 6 h já serviria.
A crónica de ontem, intitulada "Geração Bledine" é igualmente acutilante, se não mais ainda. Vou-me limitar a transcrever alguns excertos:
"É só professores a falar, a falar. Nem uma fotocópia nos dão, nem nada", dizia uma estudante a propósito das propinas. Outras duas, "todinhas" vestidas de cor-de-rosa, óculos de sol a condizer e acessórios vários,peroravam sobre a impossibilidade de pagarem as propinas, cujas, mesmo no seu valor máximo, custam menos do que aquilo que estão disposta a dar para, ao longo de um ano, andarem muito "fashion" em tons cor-de rosa e noutras cores. Os exemplos são inúmeros e, pese o seu lado caricato, deviam levar-nos a questionar o que está por detrás deste "Não pagamos!". Que geração é esta que considera que não deve contribuir nem de forma simbólica para custear os seus estudos?
Esta é a geração "bledine". Aquela a quem tudo chegou devidamente triturado em menus cheios de vitaminas e sais minerais. A geração cuja educação foi organizada sob o terror do trauma.(...) O próprio acto de aprender se transfigurou à luz desta "traumomania": as crianças não aprendem porque ficaram traumatizadas com as más notas. Quantos aos professores, o seu dever não é ensinar mas sim transfigurar galhofeiramente os conteúdos de modo a que os alunos lhes apeteça estudar.(...)
O que ecoa naquele "Não pagamos!" não é um grito de liberdade, mas sim a birra de mimo dos tais omnipotentes infantis de que agora falam os especialistas. De alguém a quem ao nascer se prometeu a vida com um seguro contra as contrariedades..."

Falou e disse.

8 de novembro de 2003

ZOO
A VIDA DE PY veio hoje ter comigo. No nosso Zoo, um chefe de família (existe, existe) indiano alimentava os animais com gáudio, perante o olhar submisso da mulher e espantado do rebento. Muito amendoím comeram os ursos e a macacada em geral.
E havia mais cépticos sobre os avisos "Não alimente os animais". O Leão de Caca vai para uma suburbana que insistia com um macaco à solta (literalmente, já que não havia um único segurança ou tratador à vista, por todo o parque - excepção para as zonas de espectáculos) para que o bicho bebesse leite com chocolate por uma palhinha de plástico....

ps: tirando esta ausência de guardas, a nota não poderia ser mais positiva, o Zoo de Lisboa está muito mais próximo do que de melhor se faz no mundo.
O CORDEIRO DOS TEMPOS
Já me parecia de alto risco a reportagem do Expresso que mostrava a cara descoberta de um menino criado por um casal homossexual. Não porque o tema não fosse da maior pertinência ou deturpasse a verdade, mas porque na sua inconsciência, este adolescente estava a expôr-se completamente à crueldade do meio escolar e de vizinhança.
Quando vi que a Tvi, no seu rasto habitual de sangue e escandaleira, escarrapachou o menor em prime time, só me apeteceu rezar pelos próximos dias deste filho que coloca as coisas nos termos em que elas devem estar: fui criado por duas pessoas que me amaram e cuidaram de mim. A separação recente não virá certamente alterar os sentimentos de nenhum dos 3 face à paternidade.
Pensei nos primeiros alunos negros que frequentaram as escolas onde a segregaçãop era a regra, mesmo se a lei apontava noutra direcção. Nos primeiros meninos contaminados com HIV que há muito poucos anos levavam os pais de outras crianças a virem gritar para as câmaras que não os queriam lá.
Veio-me à cabeça uma outra frase, mais antiga: "Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo..."
DESCONFIANÇA
Ao que parece, a deputada Odete Santos terá interrompido a sua carreira de actriz para afirmar no parlamento que não lhe parecia bem que se encomendasse uma sondagem sobre o Aborto à Universidade Católica.
Onde é que esta mulher foi buscar tanta desconfiança?... Parece-me tão fiável ser esta instituição a tratar do assunto, como a Associação Nacional de Caçadores ser responsável por uma inquérito sobre a manutenção do abate domingueiro de tudo quanto é bicho. Ou, a um nível mais internacional, a diocese de Boston interrogar-se sobre a eventual existência de predadores sexuais na sua zona...

6 de novembro de 2003

CINANIMA
Começa já na próxima semana e prolonga-se até ao fim-de-semana seguinte, é o Festival de Animação de Espinho.
Como sempre lá estarei para aplaudir as novidades mais interessantes e dormitar nas restantes. O cinema de animação é uma das áreas que mais me interessa no campo da produção audiovisual.
Este ano, helàs, terei responsabilidades acrescidas no que toca à produção nacional, já que faço parte do júri. Farei o meu melhor.
DESCOLORAÇÃO
Julgo que já posso fazer um balanço da minha entrevista ao DN: 98% das pessoas ficaram chocadas com o meu cabelo. 1% leu o que eu disse. Os restantes saltaram directamente para a páginas dos signos.
lol!
NATAÇÃO OBRIGATÓRIA
Há dias em que parece estarmos no mar, apanhados na corrente: queremos chegar à costa e repousar na areia, mas as ondas não nos dão descanso.
(sic)
Dando razão ao Luís Graça, que toma a leitura do jornais como um mal necessário, lá vou até Carnaxide comentar a Imprensa do dia. Um homem regressado de S.Tomé deveria ser poupado a isto, mas enfim, compromisso anteriormente assumido é para ser cumprido.
A vigança vai ser que vou levar os óculos de ver ao perto e ler as notícias pequenininhas. As que falam das coisas boas do mundo
;-)

5 de novembro de 2003

CINEMA PORTUGUÊS
Ao ver no anúncio aos IMORTAIS, "argumento de António Pedro Vasconcelos", percebi melhor o conceito de "ghost writer". Ao ver a capa da Nova Gente, também.
O cinema português continua a dar o seu melhor no que toca o respeito pelas autorias.

4 de novembro de 2003

ACTO DE CONTRIÇÃO
Como já combinei ir amanhã ver o MATRIX, ao Monumental, aqui fica um excerto do livro que ando a ler. Eu sei que isto não me limpa a reputação... mas enfim, é como dar 50 ct a um mendigo: sempre ajuda....

"O caminho da Montanha Fria é risível
Não tem marcas de carros ou cavalos

Torrentes ligadas difíceis meandros
Picos amontoados que se repetem

O orvalho chora sobre mil plantas
O vento murmura sobre iguais pinheiros

Algures perdido o caminho
A forma interroga a sombra: a partir de quê?"

in O VAGABUNDO DO DHARMA, 25 poemas de Han-Shan,
Versão poética de Ana Hatherley
DRAMA LITERÁRIO
Compreendo agora melhor os Existencialistas e a sua mania de escreverem coisas que tendiam a passar-se no mesmo sítio. Se lhes seguisse o exemplo, não estaria agora consumido por perguntas do género: "Como raio seria esta região de Inglaterra no séc. XIX"? Ou, "A que horas se consegue olhar para fora e ver claramente a paisagem da Nova Caledónia"... (suspiro)
A VIDA DE PI
Acabei de ler o livro de Yann Martel. A história de um rapaz e de um tigre num espaço fechado. Um retrato de um percurso de sobrevivência ou até onde alguém pode ir na negação da Moral aprendida.
Não sei se justifica todo o cagaçal feito à volta, mas é claramente um bom livro. E, sobretudo, uma boa ideia. Prolongar durante mais de 300 páginas algo que acontece quase sempre no mesmo espaço, é obra.
A ler.

ps: se sonharem que comem animais crus e sem pele várias vezes, não se preocupem. Em princípio este efeito passa dois dias depois de acabarem de ler. Pelo menos comigo...
AS COISAS OCULTAS
Na Feira do Oculto há uma venda de Lingerie "terapêutica". Ora, parece-me a mim, que qualquer pessoa que já tenha visto mais do que a mãe, a irmã ou primo em cuecas sabe que isto existe. Nem era preciso ir à bruxa.

3 de novembro de 2003

TEMPUS FUGIT

"Já acabei de ler o Harry Potter", diz-me.
"As 700 páginas?!", admiro-me.
"Sim".
"Em 5 dias?"
"Sim".

Meu Deus: mudei as fraldas a um monstro!
RIMBAUD TIME

À LA MUSIQUE

"Sur la place taillée en mesquines pelouses,
Square où tout est correct, les arbres et les fleurs,
Tous les bourgeois poussifs qu'étranglent les chaleurs
Portent, les jeudis soirs, leurs bêtises jalouses ..."

2 de novembro de 2003

4
Peço desculpa por ir reduzir (provavelmente) o meu número de posts. Vou deixar de comprar jornais e de ficar maravilhosamente informado-deprimido, por uns tempos. E tenho um romance à minha espera, não falando dos filhos pequenos que são os contos. E, quando me sobrar tempo disso tudo, vou ter de me sentar a falar com os meus amigos, ou ouvir música e cozinhar coisas suspeitas no meu wok.
Perdoarão que não continue a comentar, regularmente, notícias de corrupção, justiça da risota ou parafilias várias....
Os mais necessitados destes estímulos podem já começar a mudar-se, porque ou me engano muito ou isto vai passar a ter mais poemas que refilanços ;)
3
Ainda o avião não tinha parado e já percebia que estava em África. Na África dos filmes e da imaginação. Na África das ervas altas e das palmeiras. Na África em que as mulheres usam os filhos pequenos amarrados às costas com panos coloridos.
O que eu não sabia é que em África, nesta África, o coração das pessoas ainda estava virgem.
2
Nas salas cheias de alunos africanos recebia sorrisos largos enquanto contava histórias imaginárias que se passavam em mundos tão diferentes como o deserto e o mar aberto.
Em salas cheias de alunos africanos relembrei o que é a curiosidade e o interesse. E também que todos os miúdos jovens escrevem poemas, protestam contra a autoridade e sentem um interesse galopante pelas histórias românticas.
Foi bom falar com gente nova que não olha enfastiada para nós como se dissesse: "dá-me tudo, porque eu tenho direito a tudo". Em África ainda se entende o valor da aprendizagem.
VIM
Tinha razão uma das visitantes ao dizer que ninguém volta igual de S.Tomé.
Volta-se melhor.
Como pessoa.
Em S.Tomé ainda há mãos estendidas e corações abertos. As pessoas vivem com muito pouco. A maioria colhe os frutos das árvores,da terra ou do mar. Pescadores de pé, sobre as pirogas acenam para a terra onde as mulheres alegres como crianças negoceiam o preço do concon (não sei se se escreve assim) ou do peixe-fumo.
Quando andamos pelos buracos em que se converteram as estradas da ilha, só ouvimos uma saudação: "Amigo!".
Em S.tomé percebemos como a Europa e o "mundo civilizado" caminha para o abismo. Em S.Tomé percebemos que uma praia banhada por ondas mansas e ladeada de coqueiros e árvores de fruta-pão é muito mais do que um postal: é um post-it na porta do nosso frigorífico urbano a lembrar-nos o que é essencial e o que é acessório.

24 de outubro de 2003

FUI
Peço desculpa, mas vou ter de ir descer o Atlântico, mesmo ao lado do continente africano.
Volto dentro de uns dias. Com fotos, eventualmente, e, espera-se, de coração mais alegre.
Fiquem bem. :)

23 de outubro de 2003

TOLENTINO
Juntei mais um blog aos meus favoritos. Não me parece que seja um Intruso. Antes pelo contrário.
Só não concordo com a teoria das luvas nas bombas de gasolina. Mas isso será, por certo, um desvario poético de quem nunca teve um carro a gasóleo e comichão no nariz...
MÔNICA
Em homenagem à passageira do banco de trás do meu carro e às horas felizes de férias antigas, aqui deixo o link para a entrevista feita pela Sara Figueiredo Costa ao grande Maurício de Sousa. Está no Beco das Imagens.
O C.E.M.

Hoje pediram-me que escrevesse um texto sobre o Centro Em Movimento.
Disse logo que sim. Como poderia dizer não a uma escola que luta teimosamente contra a corrente do lucro, da facilidade artística e que ao mesmo tempo faz das suas portas uma praça aberta para quem gosta da dança, da performance, da literatura, etc, etc... ?
Só um poder cego não percebe que este é um projecto indispensável.
TEMPOS DIFÍCEIS PARA A LITERATURA
Hoje avistei a minha amiga Margarida R.P. à entrada de uma livraria, agarrada a um livro maior do que ela.
Estava mais magra... ;)
O DRAMA DE S.FRANCISCO
Ao correr Lisboa de ponta a ponta, em apetrechamento equatorial descobri por que vivemos estes tempos de ganância e desinteresse. É que no mês de Outubro já não se arranja um par de sandálias discretas e confortáveis, que permitam a alguém ter os pés aos fresco, neste ou noutro clima. Não há condições para o franciscanismo, é o que é...
PARA MELHORAR A MORAL DAS TROPAS
"É a Cultura, Estúpido!” regressa a 29 de Outubro, às 18.30h, ao Jardim de Inverno do Teatro São Luiz . Livros e escritores em modo activo.
Recomenda-se.
LITERATURA
Bloqueado pelo "comentar", esse caprichoso mecanismo, o Joaquim Paulo pede-me que cole a sua resposta ao post "em vez de escrever, blogo", na zona de comentários. Segue com honras de post inteiro ;-)
"ias-me enganando, possidónio, já ia a dar responso a esse jpn de triste ideia quando de repente, antes de clicar no comentar dei com o meu nome lá em cima e disse, meio esbaforido: "é pá, mas o jpn sou eu!". "mas eu disse isto?", "assim?", não estava a negar, percebes, nós nos comentários, ao telefone, a sono solto, às vezes dizemos coisas que não reconhecemos como nossas, coisas que em situações mais enervadas rebatemos com alguma contundência...vai daí, a páginas tantas, já ia obrigar-me a escrever cem vezes, em letra corrida: “ não escreves nem mais um comentário esta semana”, é que descobri que era um comentário que tinha deixado no post república das bananas. Comentário que já de si era a cauda de um post que tinha acabado de escrever...é claro que nele, como aqui, eu falava do choque entre a nossa realidade que mais parece ficcionada...era justamente nessa açoriana que eu pensava, nessa açoriana, decerto afável e doce que depois de deitar a canalha, e antes de se dirigir à estante, pega no controlo remoto e zarpando entre telejornais pode ser acometida da dúvida se quem fez o alinhamento do jornal, quem escreveu aquelas noticias lidas pelo Manuela M. Guedes, pelo Rodrigo G.C, pelos Josés da 1, não terá sido o Possidónio, o Nuno Artur ou o Rui Cardoso Martins...era só por isso que me pareceu que podia ser útil separar as águas...mas nem disso faço muita questão, claro. ias-me enganando, possidónio... abç jpn "

UM PAÍS TODO PIPI
Quis o destino que fosse dar uma aula na zona da Praça da Alegria (Lisboa). E que visse um amigo a entrar para o Maxims, onde um cartaz anunciava a festa de lançamento do livro O MEU PIPI. Lembrei-me do convite que tinha recebido, entrei e deparei com um cabaré cheio de homens, uma mesa com um editor (respeitável), um desconhecido e uma bomba. Não tardou que o vernáculo explodisse, perante uma plateia semi-delirante.
Já o disse e repito: ler um post do Pipi tem alguma graça; a gente não está habituada ao palavrão grosso e ri-se. Como alguém que dá um peido num jantar de cerimónia e os convivas não conseguem conter o riso durante uns minutos. Depois cansa. A alguns, pelo menos. Não todos, ou não haveria gente a subir ruas e a propôr passar aquilo a livro. Nem gente para o comprar.
Não tenho nada a dizer sobre a qualidade da prosa.. Mas não quero viver no mesmo país que esta gente.
Não tem a ver com puritanismo ou com vontade de ter um país certinho de gente a discutir literatura e cinema. Não. Tem mais a ver com a fartura de riso alarve. É a boçalidade estar por toda a parte que me deixa este sentimento de desolação.
Baptista-Bastos, aquando da publicação do seu último romance, No Interior da Tua Ausência, terá falado num país "abandonado".
É assim que eu me sinto hoje, ao olhar aquela mesa; ao ouvir esta mancha de BigBrother que alastra: um português à deriva.

22 de outubro de 2003

LOBO ANTUNES

A conselho do Aviz, cliquei no link e fui até ao DesejoCasar, ler a descrição de uma apresentação do nosso Quase-nobel. Divertida e muito menos cruel do que seria se fosse o próprio autor a escrever.
CORTE DE CABELO
O José Rodrigues Miguéis tinha um problema com os barbeiros. Quando se afeiçoava a um, morria. Ora de velhice, ora de congestão por ter lavado a própria cabeça depois do almoço.
A mim, acontece-me quase a mesma coisa.
Não posso dizer:"Este gajo corta bem", que o homem muda de cidade, de país, ou zanga-se com as colegas cabeleireiras que o cobrem de mimos verbais (Ver "O Nylon...", mal comparado - lol). Enfim, uma cruz que me leva a peregrinar de tasco em tasco, sem que o escalpe possa respirar tranquilo.
Ontem, fui a outro, na rua ao lado da minha. Lavou-me a cabeça com água gelada e muitas descupas porque-o-termo-acumulador-falhor-prontos!, mas isso não interessa para o caso.
Enquanto aguardava vez, tive direito ao defumar do que me pareceu uma tiazorra de 2ª e que se veio a revelar ser uma alcoviteira de 1ª. Entre nuvens de Marlonbrandoro ia revelando o seu ódio às brasileiras (leia-se "prostitutas brasileiras"), nomeadamente as envolvidas no caso da "mães de bragança". Não que ela fosse amiga da peripatéticas do Ninho. Não, o que a chateava era o facto das mininas se afirmarem "mais quentes que as portuguesas". Aí é que estava o busílis. Não vou descrever o discurso porque pode haver alguma criança intelectual que visite este blog, mas a coisa acabou assim: "E se alguma dessas..%$$$# se chegasse ao pé de mim, a dizer que era mais quente, eu agarrava-lhe num braço e dizia "Ó minha %&$#%# se é assim, vamos já ali à farmácia, compramos 2 termómetros e enfiamozosm na Coisa". Logo se havia de ver quem era a mais quente!!".
Ainda tenho o couro cabeludo a recuperar desta experiência.
S.TOMÉ E PRÍNCIPE
Para a semana, podem descansar das opiniões (pausa para citar uma amiga escritora (das boas ;-) ) que depois de vir ao Prazer_ em passo acelerado me disse: "muita opinião tens tu!" - lol!) deste vosso criado.
A convite do IPLB vou até às ilhas longínquas, a pisar a linha favorita do Miguel Sousa Tavares, falar de literatura portuguesa. Da minha e de outras.
Enquanto passo revista aos aspectos culturais do país, via internet, não consigo tirar da cabeça o ar alegre das pessoas e a sua forma de estar no mundo, a lembrar-nos que devemos ser completamente loucos para nos matarmos por coisas urbanas.
Quem quiser espreitar, pode olhar por esta janela.
EM VEZ DE ESCREVER, BLOGO

Chegou o frio. Mitigado, o que sinto, o de Lisboa. Mais acima e mais abaixo, amigos e família ligam os aquecedores ou acendem as lareiras. Na cidade é tudo filtrado.

Comenta o JPN: "já agora, valerá a pena os ficcionistas deste reino proporem um selo de qualidade biológica para a ficção, uma espécie de região demarcada do imaginário?".
Parece-me evidente que não. Se nem nós próprios temos a certeza do interesse das coisas que frequentemente escrevemos, como nos poderíamos pronunciar sobre os outros?... Enquanto leitores? Nem assim: melhor leitor é a senhora que vive na sua ilha açoriana e que à noite, depois de sair do banco, meter a canalha jantada na cama, se senta na busca do entendimento e prazer de um autor. E, que eu saiba, ninguém lhe ouvirá uma palavra pública sobre a primazia de um livro sobre todos os outros. Quanto muito, um: Não gostei deste e fui pegar noutro que já tinha lido, antes de me ir deitar...
Que somos nós, para lá disto?

20 de outubro de 2003

CANÇÃO DA VERDADE JOVEM

A verdade cantava no escuro
No cimo da tília sobre o coração

O sol há-de amadurecer dizia
No cimo da tília sobre o coração
Se os olhos o iluminarem

Troçámos da canção
Agarrámos prendemos a verdade
Cortámos-lhe a cabeça debaixo da tília

Os olhos estavam noutro sítio
Ocupados com outra obscuridade
E nada viram

VASKO POPA (trad. Eugénio de Andrade, in “Rosa do Mundo”)
DIA-NÃO
Antes que escreva,diga ou seja atropelado por um camião-cisterna, aviso que hoje não é o dia indicado para blogar.
Para assuntos urgentes, procurar o tipo que está debaixo de uma pilha de cobertores à espera que a má-onda se vá (lol).

19 de outubro de 2003

MINI-PUB
Em resposta às pessoas que me perguntam onde podem encontrar novas ficções minhas (vá-se lá saber porquê...!), remeto-as para o Correio da Manhã, aos domingos, onde quinzenalmente alterno- por assim dizer - literariamente, com o José Luis Peixoto (Arosendo: para a semana tens mais uma história do teu escritor favorito ;-) ). Esta semana, fui eu.
PROCESSOS
Até há poucos meses éramos uma república de bananas em que tudo se podia abafar sem grande esforço. Hoje, continuamos a ser uma república de bananas.
A diferença é que os macacos se escondem deixando os rabos de fora.
REZAR O TERÇO
Quando era criança rezava o terço numa capela pequena onde o odor das rosas e as mãos macias das mulheres me transportavam ao colo.
Do circo gosto menos.
DOMINGO
Acordar ao lado de alguém que nos diz que gosta de nós. Pensar no pequeno-almoço à hora do almoço e no almoço à hora em que as velhas já limparam todos os doces de jeito das pastelarias. Estar o dia parado, lá fora, e ser eterno, cá dentro.
Há domingos assim.

18 de outubro de 2003

ABUSO DE MENORES
E por falar em questões de saúde, não é preciso ser um génio para perceber que a RTP é um cancro que nunca terá cura. Todas as pessoas que conhecem de perto a casa diriam publicamente o mesmo, se não tivessem programas em espera para serem aprovados, ou não corressem o risco de ser despedidos como assessores e perder os chorudos cheques. Pronto, mas isso é Portugal e o seu sistema de minto-se-me-deres-qualquer-coisinha, nem adianta falar...
Um dos sectores onde a incompetência é gritante HÁ DÉCADAS, é o departamento de programas infantis. A falta de competências profissionais das sucessivas direcções arrasta-se, como se fosse um depósito onde cai tudo o que não presta. Para provar isto, basta passar os olhos nas escolhas (e investimentos) dos programas para este target que passam na rtp1 na 2 e na RtpInternacional. Nesta última, podemos assistir a programas absolutamente patéticos, em que um apresentador razoável, luta contra a produção mais pindérica de que tenho memória, o cenário mais piroso (modelo anos 80) e operadores de câmara que projectam as suas lindas sombras sobre a figura das criancinhas aparvalhadas que por lá assistem... Quanto aos textos ditos... Não tenho palavras... Se pensarmos que a Rtp internacional é o mais importante dos canais já que dependem dele milhares de portugueses espalhados pelo mundo, perceberemos a gravidade da situação.
Ps: se voltasse a falar do assunto daqui a 5 anos, o seu teor seria provavelmente o mesmo. Provavelmente só as moscas metidas por cunha teriam mudados. Porque quanto à merda...
O HOMEM CERTO NO LUGAR CERTO
Com a sensibilidade que se lhe conhece o Executivo acaba de nomear para encabeçar a gestão do Hospital de Sta. Maria um engenheiro hidráulico. Fontes próximas do primeiro-ministro terão afirmado: "Ainda pensámos em o colocar num lugar onde a sua formação tivesse mais utilidade, como a dirigir a Orquesta Metropolitana, ou a Companhia Nacional de Bailado, mas depois optámos pela gestão hospitalar. Afinal, o que não faltam são canos rotos e infectos naquela instituição".
CINEMA FRANCÊS
Sala à cunha para ver o filme do André Techniné, "Les égarés".
Este realizador concede-nos sempre filmes "agradáveis". Muito campo, mulheres bonitas em sofrimento, diálogos que funcionam. Foi de novo assim.
Mas, confesso que fiquei um bocadinho com uma sensação de dejà vu...
HISTÓRIA
Olho para os posts em baixo e penso que há 30 anos atrás seria preso por escrever estas coisas.
Felizmente que hoje existem comentários que permitem a quem concorda acrescentar algo e a quem discorda manifestar a sua indignação :)

17 de outubro de 2003

UM POST DE JOELHOS
correndo o risco de ofender o Pinto da Costa, que resolveu desconversar quando compararam o seu actual poder ao do Santíssimo J.P. II, não posso deixar de me alegrar com os progressos da saúde mental do papa. Já o davam por encriptado (in cripta) quando o homem não só aparece a dar uma mega-missa (transmissão directa na rtp1, benza-a deus, sempre em cima da notícia importante), como ainda COMEÇOU A OUVIR DEUS. Segundo afirmou, "Deus pediu-lhe que não resignasse ao uniforme branco". Um bocado chateada, Alexandra Solnado já terá vindo duvidar: "Por acaso ele chamou-lhe Cabrito? Ãh! Chamou?! Não!".
SE conseguir acertar com o papel, João Paulo II talvez venha a escrever mais um livro: "Como Deus me disse que não resignasse enquanto argumentava que talvez não fosse eu o 3º Segredo de Fátima".
Em inglês, o livro poderá ter o título "Me, Nuts!"

16 de outubro de 2003

CRÓNICAS DO JL
A pedido de várias famílias, resolvi publicar on-line (por um período limitado) as crónicas que saíram no JL, entre 2001 e 2002.
Apenas algumas.
As que continuam a fazer sentido.

http://www.cronicas-do-jl.blogspot.com

Enjoy
CABULAR EST LEX

Diverte-me o facto de não ouvir falar na ministra da Justiça. Provavelmente está a usar a táctica das moscas encurraladas: fingir de morta até que a dona-de-casa perca o mata-moscas. Enfim...

Tenho dado uma vista de olhos aos projectos-lei de vários grupos parlamentares, sobre os mais diversos assuntos. E há uma coisa que os une. A frase: "estas medidas já estão em vigor em Inglaterra, França e em vários outros países da Europa". Acho bonita esta nossa simpatia pelas leis que são pensadas para outros países. É mais do que isso, é um escancarar de pernas que só mostra como Portugal é um país aberto.
Diz quem sabe, que o nosso direito (aquele conjunto de regras pelas quais poderemos ir malhar com os ossos na cadeia ou escapar dela apesar de termos feito as maiores barbaridades) é integralmente copiado do Código Alemão. O que me parece bem. Se um país que conseguiu chegar de tanque ao norte de África e criar campos inesquecíveis na Polónia decide que o cidadão pode fazer isto e não fazer aquilo, quem somos nós, para questionar?
Afinal, ninguém parece empenhado em ter uma Justiça no sentido tradicional da palavra; um conjunto de procedimentos que nos proteja dos maus e que deixe em paz os que tentam fazer o bem. Não, temos um sistema jurídico cujo o único objectivo consiste em assegurar que os prazos são cumpridos, os rococós processuais levados em consideração e as decisões dos magistrados bebidas como um precioso néctar. E isso, julgo não estar em perigo.
ONDE HÁ FUMO HÁ FUMO
Deus sabe que eu tenho tentado evitar esta discussão. E continuo na melhor disposição para não incomodar as consciências anestesiadas. Contudo, o post de um dos nossos visitantes, JCB, defensor do direito a fumar onde apetecer e os outros que se mudem, merece um pequeno comentário:

"Pois, e o fumeiro parece que também faz mal; os enchidos deveriam vir acompanhados de avisos tipo «o abuso do chouriço dá-lhe cabo do toutiço». E o vinho alentejano com letreiros da base ao gargalo, do tipo: «Se beber não borba». E os colchões do leito conjugal: «aproveite hoje para dar uma, que se conduz provavelmemente amanhã não dá nenhuma». E, claro, devia haver multas para os pais que comessem chocolates ou brigadeiros à frente dos filhos ou que, diante deles, lessem livros da Margarida com ar circunspecto"

Caro Jcb, toda a razão. Também concordo que todas as situações indicadas mereceriam letreiros. Já multas não concordo. Porquê? Porque o fumo não partilha da sua inteligência. Isto é, ele não pode ser ensinado a permanecer a menos de 5 centímetros do corpo do fumador. Onde não possa aspirar a entrar para os pulmões de outra pessoa.
Na verdade, se as tabaqueiras conseguirem criar fumo domesticado, eu serei o primeiro a defender o fumo nos restaurantes, nas salas de espectáculo, nos hospitais e onde aprouver a cada um. Até lá, teremos que tomar medidas mais restrictivas.
Num outro blog, alguém contava que tinha fumado 4 ou 5 cigarros durante um jantar em que um não-fumador (um miserável anti-tabagista radical), protestava contra o fumo. Foi uma espécie de statement, no seu entender. No meu, foi apenas uma criancice, que os administradores da Tabaqueira e da Ph. Morris aplaudirão com cinismo.
Não tenciono travar aqui, batalhas sobre esta questão. A causa do tabaco estará perdida em Portugal dentro de um ou dois anos. Ou não fôssemos nós uns imitadores de tudo o que se faz "lá fora". Compreendo o incómodo e a ansiedade que a ameaça de privação desta droga possa trazer. Mas, não nos falem em "perda de direitos". Eu é que perco os meus direitos quando não posso ir a um café com o meu pai que sofre de problemas respiratórios. O resto é uma baforada de enganos...

15 de outubro de 2003

APRENDER AS LETRAS
Perguntaram-me, hoje, numa entrevista, se será possível ensinar a escrever (no sentido literário do termo). Hesitei na resposta.
Depois respondi que sim. Se entendermos por "ensinar" a ajuda que se dá a uma pessoa para encontrar a sua própria voz no meio da noite.
PROMOÇÃO NUMA LOJA DO CHIADO:

"BE HAPPY, GO SHOPPING!"

Palavras para quê?
AS COISAS QUE A GENTE ESCREVE NA BOCA DOS OUTROS

Encontro na net, ao acaso, a promoção à "Materna...", na tradução espanhola. E, se calhar por ser a primeira vez que me confronto com o olhar castelhano sobre um romance que me saiu com dor, aflijo-me...

""Mater dulcísima"


Possidónio Cachapa

Mater dulcísima es la historia de Sacha, un niño con un enorme agujero invisible en el pecho. Un hijo que busca a la madre desaparecida en el cuerpo de toda la gente. Es el relato del hombre que inventó la pornografía materna. Es un libro que desacraliza la maternidad divinizándola al mismo tiempo. Un buen libro. Un libro donde la escritura fluye dándole al lector la plácida ilusión de felicidad. Y es en los corazones desarmados donde la crudeza y el dolor baten más fuerte. Un libro, en fin, para obsequiar a quien se ama."



PAÍS LONGÍNQUO
O meu sofrimento
É simples
Tal como para cuidar de um animal de um país longíquo
Não é necessário um tratador

A minha poesia
É simples
Tal como para ler uma carta de um país longíquo
Não são necessárias lágrimas

As minhas alegrias e penas
Ainda são mais simples
Tal como para matar um homem de um país longínquo
Não são necessárias palavras"

Tamura Ryuichi (trad. José Alberto Oliveira)

14 de outubro de 2003

A PROPÓSITO DO POST ANTERIOR
Engraçado como há maneiras simples de avaliar as coisas.
Infelizmente, nenhuma delas certeira.

13 de outubro de 2003

PORTUGAL
Há qualquer coisa de triste em Portugal. Uma melancolia que nos vai roendo a alegria da escrita. Começamos todos a escrever coisas felizes e acabamos todos a contar histórias desertadas pelo riso.
É como se o nevoeiro que se levanta do mar se entranhasse entre as palavras...
A SOMBRA DOS ABUTRES
Começam a aparecer nomes da sucessão. Os abutres que rondam o corpo do Papa doente começam a mostrar-se. As apostas também começaram.
Parece que os melhores posicionados são os que se afirmam defensores de uma maior "contenção". Leia-se: "ó tempo volta pra trás". Não que este fosse propriamente um renovador. Pelo contrário, mesmo para um leigo mais que desinteressado do processo, como eu, parece óbvio que a ascensão de movimentos como a Opus Dei (entre outros) na hierarquia do Vaticano, não augura nada de bom. Mas, creio que as coisas se tornarão ainda mais extremas e conservadoras... Para azar de quem liga ao assunto.
Mal o actual papa bata as sandálias é quase certo que não será apenas o afastamento das mulheres (símbolo do pecado original e da tentação) da liturgia, a única coisa a acontecer (o que até, me parece bem feito, já que elas insistem em não perceber que são a força que mantém viva esta instituição e que, na sua maioria, gostam de estar casadas com este "marido"prepotente.
Tudo o que diga respeito ao corpo será diabolizado, porque a escolha do que fazer com ele, seria um símbolo de livre arbítrio intolerável para quem tem intenção de manter o poder. Além de ser um prazer que não será legítimo conceder aos outros, já que a si próprio se proíbe... Se me percebem...
KILL BILL
Roubei, descaradamente este endereço ao Piscoiso. Mas vão até lá que há sempre mais qualquer coisa para ver ;)
O CEPTICISMO
Cada vez estou mais convencido que o dever do céptico é ajudar a remar durante uns tempos na direcção daquilo em que acredita.
Só então, poderá virar as costas e ir aproveitar o melhor que consegue, os poucos dias a que cada um de nós tem direito.
EDUCAÇÃO
Violenta discussão na Sic Notícias entre uma professora (representante da Ass. de Prof. de Português, julgo) e uma ex-professora, pelo Ministério.
Ao que percebi, a primeira defendia a necessidade da utilização dos textos literários para o deslindar do mundo. A segunda, uma aproximação ao universo "laico", através do uso de notícias jornalísticas, regulamentos (num dos manuais, seria usado o do BB)...
A primeira pareceu-me uma professora a sério.
A segunda, apenas dona de um poder temporário, ainda que a intenção de base tivesse alguns méritos. Uma medíocre, com todas as que são escolhidas para estes lugares de "pouco interesse".
O resultado será a confusão habitual.
A questão de fundo é que a escola como a conhecemos é um modelo condenado. E as alternativas não são evidentes se utilizarmos um processo de continuidade. Isto é, seria necessário uma ruptura. Aquilo que ninguém se atreve neste momento a pôr em prática.
... E POR FALAR EM COISINHAS TUBULARES QUE ARDEM NA BOCA:
Quem me conhece, sabe que até parece mentira que eu não tenha já lançado aqui uma campanha anti-fumo,lol! Tenho amigos viciados que já deixaram de me falar por acharem o meu discurso "castrador" do seu livre prazer. :) adiante!
Na verdade, desta vez venho dar razão aos fumadores. Também me parece ridículo que as "autoridades" (que ganham milhões com a Tabaqueira e com os impostos sobre as restantes empresas do sector) encham os maços de tabaco com anúncios de aviso. É o mesmo que dizer a alguém que gosta de coçar a cabeça que tem de acabar com os piolhos. A malta GOSTA de ter os pulmões cheios de fumo. Pelam-se pela tosse seca e não acreditam que um dia vão ter um tubo de plástico enfiado pela garganta, que terá de ser removido 3 vezes por dia, para limpar as secreções. Só acreditam quando lá chegarem. SE lá chegarem.
Sou radicalmente contra campanhas que protejam quem não quer ser protegido. Sou mais pela protecção aos que QUEREM viver em paz. Sendo assim, faz todo o sentido que se criem zonas para fumadores nos vários espaços públicos, deixando aos outros o direito a respirar um ar (relativamente) puro. Ou que se multe violentamente um pai ou uma mãe apanhado a fumar dentro de um carro onde seguem crianças.
Para ser sincero, não me causa impressão nenhuma que milhares de portugueses que estão vivos no momento em que escrevo, morram em agonia, dentro de uns anos. Estão a pagar o preço da sua escolha.
Salvaguardemos os restantes e o nosso dever cívico estará cumprido.

12 de outubro de 2003

HOW TO HOLD A CIGAR
Bill Clinton vem a Portugal perorar sobre "a crise de valores comuns". Para os menos atentos, uma vinda destas custas dezenas de milhares ( e não "milhar") de contos, em cachet, fora as viagens em primeiríssima classe, as estadas no Hotel da Lapa e as jantaradas sabe deus onde.
Não descortino completamente os conteúdos das sessões, mas suponho que seja uma espécie de lamento sobre como "as cabras das assistentes já não gostam de se pôr de joelhos" ou "que argumentos usar depois de apanhados pela imprensa". O regularmente referido presidente da cãmara da capital, também irá botar discurso...
bloGRATIDÃO
Depois de ter viajado pelo mundo, chegou-me um envelope cheio de música. Uma janela indiscreta para as melhores coisas da vida. Comecei a ouvir agora, mas desde já, o meu obrigado e o meu abraço, para a Cristina, Ana, António e todos os os outros que colaboraram na produção. Isto sim, é a blogosfera :-)

11 de outubro de 2003

PAULO PORTAS CONVOCA MANCEBOS
Parece que o, por acaso, ministro da defesa vai obrigar a rapaziada a mostrar-se em parada no Dia da Defesa Nacional. À primeira vista pareceria tratars-se de mais uma palhaçada do género da que ele tinha imaginado com a cantoria do hino.
Mas, fontes seguras afiançam que se trata de uma questão de gosto pessoal. Portas faz questão de avaliar o "material" que vai desfilar de uniforme nos próximos anos.
Falta saber se deverão levar peruca loura, ou poderão ir com os cabelos ao natural...
Volta Pasolini que estás perdoado.

10 de outubro de 2003

DEVE SER ENGANO...
No Dn de hoje, uma senhora indignava-se contra as praxes violentas que alegadamente se praticam na Academia Militar. E dizia não acreditar que os responsáveis militares fechassem os olhos a estes comportamentos, que infringem a lei.
Eu também não acredito que isso possa acontecer dentro de uma instituição que prima pelos valores da empatia e do respeito pela sensibilidade das pessoas. E, claro, que nenhum Comandante das Forças Armadas fecharia os olhos a actos desta natureza. Ou fecharia...?
PRÉMIOS _INCULTOS

Não ligo muito a prémios, mas não resisto a atribuir dois.

O primeiro (fruto de um zapping de 1m e 28 seg. pela tvi) vai para a Tânia, do BB (acho que é este o nome...). Conseguiu a liderança da "Casa" e a sua Não-Nomeação por engolir um maior número de chicletes, em menos tempo.
O segundo vai para o nosso Mayor, S.Lopes, que acaba de receber uma medalha da Unesco "por ter colaborado na realização de uma exposição a favor das crianças de Moçambique".
UMA FRASE

Peço desculpa, mas não acredito na Justiça.

9 de outubro de 2003

PARTIES
Hoje é Dia LiliCaneças. Vejo-me à rasca para despachar o social (lol). Por exemplo, estou a enviar este post DO MEIO DE UMA. Daí que só possa enviar um abraço aos amigos do Desejo Casar e do País Relativo. Vamos lá a ver se tenho forças para lá chegar e tentar um dos shots ;-)
ps: escrevo com o som de fundo do espectáculo Wordsong, sobre textos do Al Berto. É o blog em directo!
A VELHICE
O principal sinal de que os anos se estão a enrolar à volta das pernas como um par de Levis, dois números abaixo, é quando damos por nós a pensar, a respeito da actuação de dois polícias: "Coitados dos míúdos. Vão-se ver à rasca para levar o assaltante. Ainda algum deles se magoa..."

KHUSHWANT SINGH
A colectânea de contos, unidas pelo título "Uma esposa para o sahib", acaba de sair na Cavalo de Ferro editores. Tradução de Margarida Periquito.
Mais um belo livro, dos vários que esta editora tem lançado desde a sua recente aparição. A principal vantagem é que nos trazem autores que não leríamos, em português, de outra forma.
Atenção à saída em breve de "A Planície em Chamas", do mexicano Juan Rulfo (e na certamente, excelente tradução de Ana Santos). Sobre este livro disse Carlos Fuentes :"Es la máxima expresión que ha logrado hasta ahora la literatura mejicana". Considerados como incomparables e irrepetibles, los cuentos de El llano en llamas son auténticos relatos puntuales dotados de máxima intensidad en el desarrollo de una temática marcada, especialmente por la violencia, la soledad, la muerte."
Aguardamos.
ADEUS À VERDADE
Numa sala cheia (quarta à noite....!) fui ver o ADEUS LENINE.
Quando lhe avistei os cartazes, em Berlim, tomei-o como uma daquelas xaropadas europeias que se metem em bicos de pés para parecerem americanas. Não era. Pelo contrário. Trata-se de uma excelente parábola sobre a verdade e a mentira. E também pelo amor de filhos e pais. Os presentes, que nos merecem tudo. E os ausentes que só nos merecem a dor.
EQUADOR
Começo a pensar em S.Tomé como um sítio de chegada. As pessoas que cumprimentam na rua, o sabor da fruta-pão e o rumorejar das águas claras.
Acho que pisarei o solo com cuidado, olhando em volta em busca do fantasma de um homem tragicamente enamorado.

8 de outubro de 2003

DIRECTOS
As televisões transmitem todas o mesmo: a libertação (provisória ou não) de Paulo Pedroso. Com toda a simpatia que me merece a pessoa visada, não seria melhor aguardar discretamente a conclusão do processo, antes de gritar "Eis a prova da sua inocência"? Uma coisa é ir dar um abraço a um amigo a quem se quer manifestar a nossa solidariedade INDEPENDENTEMENTE DOS SEUS ACTOS. Outra será saltar por cima de juízes e tribunais, assente apenas nos sentimentos positivos que alguém nos desperta. Digo eu...
Não consigo afastar da cabeça a cena (provavelmente mítica) do discurso de Samora Machel a Eusébio aquando da visita deste jogador ao novo país: "Camarada Eusébio, saiste como um escravo e voltaste como um herói!". O que era um exagero amigo.

Para concluir, sou só eu que não tenho paciência para a cara de ofendida das jovens jornalistas (hoje era a da RTP, mas as da TVi também são boas nisto...) quando declaram o seu escândalo por não obterem resposta às suas perguntas? Alguém que visite rapidamente as faculdades de comunicação social e explique aos alunos que uma pergunta é apenas um "convite à resposta". Não uma faca apontada ao peito...

7 de outubro de 2003

FALAR PORTUGUÊS
Estava com um dúvida sobre a utilização do "ter de" ou "ter que", por isso fui ao ciberdúvidas. Impecável: respondeu-me com um artigo sobre o tema "A origem dos Biscoitos"...
JOYEUX ANNIVERSAIRE.

Hoje faz anos um amigo meu que mora longe. Alguém a quem a vida atirou para outra praia. Tão distante que nem lhe há-de passar pela cabeça que eu me esteja a lembrar dele. E contudo...
Alguns insistem em dizer-nos que somos feitos de carne e sangue. Outros, de matéria luminosa emprestada por Alguém.... Pela minha parte suspeito que a nossa matéria se vai cruzando com os tecidos felizes dos que um dia gostaram de nós.
IN EUROPA
O que está a acontecer ao ex-ministro dos Negócios Estrangeiros tem um valor pedagógico para Portugal, maior do que se poderia ajuizar. Depois de décadas de compadrio, favores e cunhas a preceito, partilhados, consentidos e incentividados entre os que têm partilhado o poder, recebemos pela primeira vez um sinal de que "desta vez, não passará". Claro que acho piada aos membros de outros partidos que têm dividido o poleiro entre si, desde (e em termos pessoais, volta e meia, ANTES de ) 1974 armarem-se em putas virgens, exclamando: "Ai que mau que o menino foi!". Martins da Cruz poderá ter "dado um jeitinho" no percurso académico da filha. Mas, nada que carradas de outros indivíduos do seu partido, bem como do PS, PCP ou CDS, não tenham feito antes. Não que isso lhe aligeire o pecado.

A vantagem destes inícios de século moralistas é que do ponto de vista do descaramento político as coisas moderam um bocadinho.
PÍLULA MASCULINA
Parece que vai acabar a chatice de ter que andar com o mulherio de carro ao domingo à noite à procura de uma farmácia. Agora, com a nova pílula masculina, já deve ser possível instalar umas maquinetas nos urinóis, o que vai facilitar.
O único senão, nesta fase, será o preço. Já estou a ver a malandragem masculina a fugir usando desculpas publicitárias:
"- Querido, hoje és tu que tomas a pílula.
- Eu? Pensas que que eu sou rico? Vai mas é telefonar do telefone da Pt para uma farmácia que venha entregar a casa!"
O PROBLEMA DA ESCRITA
Muitas são as pessoas que têm um problema de escrita. Isto é, possuem uma espécie de pomba dentro de si. E como o bicho não se cala toda a noite, o melhor é soltá-lo.
Para os que não sabem por onde começar e acham que entrar na ficção exige uma passagem pelos seus quotidianos, sugiro uma visita ao 1001 cartas de amor. Parecendo que não, já é um princípio, ora vejamos:
"X... Caramba, como és impaciente! Eu sei que marcámos às 21.00h, mas acontece que eu me atrasei porque fui levar a minha mãe na casa da minha tia e depois não conseguia mais sair de lá. Cheguei à 00.30 h e a fulana do bar disse-me que tinhas acabado de sair. Da próxima vê se esperas, não é?..."
É um começo. E quem sabe se a pomba não é uma moderna Jane Austen?

6 de outubro de 2003

TERMINATOR
Arnold Schwarzenegger está a ser acusado de assédio sexual, o que nos E. Unidos corresponde a 75% de uma violação e a 33% de abuso sexual de cheerleader (segundo a última cotação). O ex-austríaco já se defendeu, afirmando "nunca ter forçado ninguém a ter sexo. Ou pelo menos não se lembrava". Haveria talvez o caso da vez em que encontrara uma assistente de produção pendurada no pénis, mas por ser distraído, "tinha julgado que ela teria ficado ali enfiada por engano, durante um acto de prazer solitário"....

5 de outubro de 2003

REPETIR O ESSENCIAL

Quanto mais tempo passa, mais me parece uma evidência que existe uma diferença abissal entre Criar e Mostrar. Só a primeira é do campo do Absoluto. A segunda premissa é do domínio da carne que apodrece.
O FIM DO SONHO
Não sei se existe o fim. Sei que existe uma altura em que nós percebemos que somos bons numas coisas, poderemos ser bons noutras... e nunca faremos nada de verdadeiramente significativo em algumas. Ou pelo menos, não naquele momento.
Por isso, e sem angústias de maior, poderá ser interessante ler esta reflexão.

4 de outubro de 2003

A DESPEITO DO PRAZER
O jornal Público continua empenhado em dar a conhecer as personagens que se confrontaram com a hostilidade dos seus contemporâneos, na secção "Só contra todos".
Compreendemos muito bem o seu movimento. É frequentemente o que se sente ao ler os longos e elogiosos artigos que alguns dos seus jornalistas dedicam a filmes, livros e espectáculos que ao comum dos mortais pareceriam apenas entediantes e, nalguns casos, desprovidos de ponta de talento.
"Durão Barroso reitera confiança em Martins da Cruz"
O primeiro-ministro poderá ter acrescentado, em seguida: "Porque este é um homem que sabe meter Portugal no seio da família europeia. E vice-versa".
1755
Catalina Pestana avisa que quando vierem a público muitos dos nomes envolvidos no Ballet Blue, será "um terramoto de grau 7".
Pergunto-me se será no sentido da credibilidade da Justiça portuguesa ficar abalada de alto a baixo. Ou apenas uma réplica do que alguns dos arguidos poderão ter sentido ao afirmarem, já de cigarro na boca, refastelados nos lençóis "Hoje senti a terra mover-se, puto!".


URSS
Digo Freitas do Amaral acusa Paulo Portas de ser um autêntico Estaline. Parece-me exagero. Quando muito, uma Evita Peron.
Por causa do talento em falar às multidões, quero dizer...

3 de outubro de 2003

SOCORRO, TENHO UMA MAYA DENTRO DE MIM

Hoje, tive uma visão. Enquanto ouvia a notícia sobre a, se tudo correr como previsto, morte do do Papa (pausa aqui, para sugerir que se consulte o Luis Delgado que já deve ter uma data exacta para o passamento) turvou-se-me a vista. Suspeito que foi foi mais de sono do que de emoção, mas ainda assim, comecei a ver abutres a rondar a Igreja de S.Pedro. Eram todos do sexo masculino, e vestiam-se de púrpura, com um laivozito de branco, aqui e ali. Enquanto estendiam as negras asas em volta da figura carcomida, sentada na sua Nimbus2000, soltavam grasnidos que me soavam como "Eu"!Eu é que vou ficar...", "Eu! Que sou o mais fechado ao progresso do mundo...". E por aí fora. A figura branca, caída de lado, murmurava uma ladaínha em várias línguas. Mas, se nos debruçássemos sobre ela perceberíamos..."Também eu fiz tudo..."
E POR FALAR EM FAZER FILMES...
Algumas pessoas começam a irritar-se com o discurso de que "é possível fazer filmes sem subsídios" (com a utilização de novas tecnologias digitais, muito mais baratas e acessíveis). A verdade, do meu ponto de vista, é que não só é possível, como já está a acontecer. E que isso não deixará de ter consequências sobre uma classe que não concebe a criação sem o esforço de conseguir apoios.
Contudo, AINDA não estou do lado dos que acham que os filmes portugueses se deveriam sustentar por si, através de patrocínios, exibição e vendas várias. Isso implicaria 3 coisas: uma classe empresarial educada e sensibilizada para a cultura (ou então só teríamos Fernandos Rochas levados à tela), filmes feitos com um profissionalismo (do guião à pós-produção) superior ao que encontramos na maioria dos casos e uma vontade de comunicar para além da área do umbigo. Como nenhuma dessas condições se verifica (embora existam pessoas bem intencionadas e que se esforçam por mudar este estado de coisas) vamos ter que continuar a investir no cinema. Com a certeza de que a maior parte do dinheiro é mais do que um subsídio a fundo perdido: é a Fundo Desperdiçado.
ESTREIA
Estou ansioso por ir ver o "Quaresma" do José Álvaro de Morais que tem reunido a unanimidade. Mesmo os apreciadores do trabalho do realizador tem dito a uma só voz: "Não se pode".
Lá terei de ir ver para confirmar.
A FILHA DO DOUTOR CUNHA
Estou com o ministro da educação e a sua indignação com a suspeita de favorecimento à filha de um colega de governo. Por amor de deus! Onde é que já se viu alguém em Portugal safar-se com cunhas?! É que nem é um hábito enraizado
Que raio de gente desconfiada...
MOMENTO ABRUPTO
Reparo no contador que indica as 20.000 visitas (desde Março). Nunca chegaremos aos calcanhares de um P.P. (sobretudo em page views) mas cá nos vamos continuando a encontrar e a discutir num grupo de gente pensante. Na verdade, somos uma espécie de programa que passa às 2 h da manhã :-) Abraços para os que ajudam a manter vivo este prazer_ com os seus comentários, correcções e discordâncias.
GLÓRIAS BREVES
O Coetzee levou o Nobel e não apareceu para as entrevistas... Eu acho que o sindicado mundial de jornalistas e os accionistas das principais cadeias mundiais de televisão o deveriam processar. Então agora que eles se tinham decidido a dar-lhe, generosamente, tempo de antena, o homem não aparece. Mas que raio de ideia de literatura tem ele? Se calhar pensa que um escritor escreve o que lhe apetece e um jornalista faz o que lhe deixam fazer, não..?!

2 de outubro de 2003

COELHO DA ALICE
A correr, entre dois compromissos, não tenho tempo para posts.
... Contudo, sempre vou dizendo que discuti ao almoço com um amigo sobre a questão do empenho e do brio não só dos estudantes portugueses, como dos profissionais em que eles se irão tornar ou já tornaram. E chegámos à conclusão que as notícias são boas para os que levam o seu trabalho a sério e perdem tempo a preparar, ver, rever e alterar até se aproximar do ideal: não têm concorrência. Por isso, amigos com brio, só é preciso paciência e perserverança. O tempo virá ao vosso encontro.

1 de outubro de 2003

AGRADECIMENTO PÚBLICO 2
Obrigado à Netcabo e à PT (que acaba de publicar o seu chorudo relatório de contas...), por me forçarem a concentrar no trabalho, afastando-me desta coisa dos blogues. Esta boa gente deixa-me sem net todos os domingos e, num esforço supremo, hoje também não tenho (escrevo de outro computador, via telefone, ligação tão artesanal que faria rebolar de riso os desenhadores/escultores de Foz Côa) cabo. Bem-hajam. E espero que se lembrem desta privação na hora de me cobrarem o aluguer da linha e do modem...
AINDA OS LIVROS
Voltei hoje a folhear o livro do Pedro Rosa Mendes e do Francisco Vilhena. As belas e justas palavras de um e o olho sensível do segundo.
O Pedro tem tido uma actuação discreta, apesar do sucesso do seu primeiro livro. Não precisa de provar a qualidade da sua prosa, coisa mais que feita em "A baía dos tigres", mas já íamos gostando de ler outra obra de fôlego.... Pedro, quando quiseres, a gente está cá para te ler ;)
COISAS DA LITERATURA

Hoje aconteceram-me 3 coisas.
Uma: repeguei na escrita do romance que começou a assombrar, de forma indelicada, há algum tempo. Numa altura em que já iniciara outro e estava decidido a persegui-lo até que se rendesse. Este entrou, meteu os pés em cima da mesa e perguntou Quando é Chega o Jantar?. Enfim...

Duas: no Francisco J. Viegas (ainda via NTV, repetição) tomei contacto com o novo livro da minha amiga Margarida. Pop. Ela defendeu-o com a energia habitual e a evidência que escreve coisas que agradam a muitos portugueses do início do milénio. Ainda não está à venda e já se pressente colado aos tops. Mas isso, é assunto da ordem do comercial. Enquanto a via, desatei a rir-me de mim mesmo. O meu livro, a que acrescentara mais uns caracteres era o oposto: Não era contemporâneo, desconfio que não vai ser alegre; e, muito provavelmente nunca será visto no interior da casa do Big Brother. Ri-me, porque me foi evidente que nunca serei um bestseller. E ri-me, porque não me importo nada com o assunto. Adelante...

Três: um dos meus novos (no sentido "recente" da palavra) leitores escreveu-me um mail simpático. Os meus livros falarão de forma clara à sua sensibilidade e gosto literário. Escreveu-me para partilhar o prazer da leitura. E isso, meus caros amigos, não sendo decisivo para o acto de escrever, consola-nos e dá-nos forças para os momentos menos optimistas. E já que um blogue é, também, um diário "íntimo", aproveito para agradecer a todos os que contrariaram o hábito português de dizer apenas do que não gostaram e vieram ter comigo com palavras encorajadoras. Obrigado a todos.